segunda-feira, 1 de março de 2021

DO DIABO NOS PORMENORES E DO SNS QUE FALHOU TODO

No FAROL XXI está agora publicado um artigo da minha autoria que mostra como o SNS entrou em colapso em Janeiro. Os gráfico que aqui coloco (que está lá melhor explicado) mostra, no do lado esquerdo aquilo que se registou desde Dezembro; no do lado esquerdo o que aconteceria se o SNS tivesse tido sempre o nível de eficácia da última semana de Fevereiro.

Este artigo parece-me de fundamental leitura até para compreender o alcance das palavras deste fim-de-semana do presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares que admitiu que a gestão da pandemia foi "francamente má" (sic).

Leiam AQUI.

Em Janeiro, os dados oficiais apontam para 270 mortes por covid-19. Na última semana de Fevereiro foram apenas 67. Qual foi a razão para esta descida? Apenas diminuição do número de internados? Não parece. Um dia depois do presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares admitir que a resposta à pandemia foi “francamente má”, o FAROL XXI mostra como o Serviço Nacional de Saúde falhou em Janeiro, deixando que em certos dias morressem mais de 40 pessoas por 1.000 internados. E isso é prova de falhanço? Sim, se considerarmos que na última semana de Fevereiro, essa taxa se reduziu para apenas 18 óbitos por 1.000 internados. A recuperação da eficácia do SNS em Fevereiro é a prova do seu colapso em Janeiro.

Nota: Estou em processo de migração para a minha página em Pedro Almeida Vieira - PAV. Quem me quiser continuar a seguir, queira por obséqui juntar-se por lá. São muito bem-vindos, se vierem por bem.

Sigam o site do FAROL XXI, AQUI.



DO POPULISMO DOS ABSOLUTISTAS

Um excelentíssimo médico intensivista, especialistas em livros sobre fake news na medicina - e que parece se sabe melhor se bebido com chá e bolinho -, "crucifica-me" porque eu aprecio relativizar a covid-19 e outras doenças. Diz que é coisa de políticos e generais, forma de dizer que quem relativiza é um insensível.

Não deveria ser necessário ter de explicar que relativizar não é menorizar; é enquadrar. Serve para poder comparar com rigor, não permitir os enviesamentos que surgem com os números absolutos. Por isso é que se pode dizer que a nossa situação é pior do que a dos Estados Unidos, do que do Brasil, do que da Espanha, etc...

Se não fizéssemos essa operação chegaríamos a conclusões absurdas, como seja dizer que as condições de vida em Portugal no século XVIII eram melhores do que agora, porque, ignorando que então havia apenas 20% da população de agora, se constata que morre agora mais gente (em termos absolutos) do que que há 300 anos. 

Ou então diríamos que a Peste Negra foi menos perigosa do que a covid para os idosos com mais de 80 anos, porque esta já matou 10.814 portugueses nesta faixa etária, enquanto a epidemia do século XIV não terá chegado a tanto nos idosos (esquecendo que se contariam pelos dedos das mãos aqueles que chegavam aos 80 anos naqueles longínquos tempos).

Na verdade, o Excelso Doutor deve ser daqueles que acha que a qualidade de um cirurgião apenas se mede pelo número de doentes que sucumbe no bloco operatório. Assim, se ele deixar morrer o único doente que operou será melhor cirurgião do que aqueloutro que operou 1.000 pessoas e não conseguiu salvar duas. 

O facto de o grau de sucesso ser, respectivamente, de 0% e de 99,8% é um pormenor irrelevante, coisas de general. O que conta apenas é que morreu uma pessoas às mãos do médico aselha, menos uma do que do outro médicos que, lamentavelmente, deixou duas vidas perderem-se.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

DAS LOAS AO ACTIVO, RESPONSÁVEL, ASSERTIVO, PRUDENTE E SOLIDÁRIO PRIMEIRO-MINISTRO PORTUGUÊS

O meu artigo de opinião no FAROL XXI que aborda como o Governo português é bestial e os Governos brasileiros e norte-americano são/foram umas bestas. Tem uns interessantes gráficos..

Vejam AQUI o texto completo.

Deixo aqui uns trechos:

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Execute-se um simples teste comparativo. Pesquise-se no Google, na secção Notícias, por “Bolsonaro+covid”, “Trump+covid” e “Costa+covid”. Percorrendo as primeiras páginas para o caso português, predominam largamente as notícias da pandemia com destaque para o nosso activo, responsável, assertivo, prudente e solidário primeiro-ministro. Lê-se António Costa a confirmar o confinamento (o 12º em apenas um ano). Lê-se António Costa a prometer desconfinar apenas a partir de 11 de Março. Lê-se António Costa a abordar a importância de um certificado europeu para se viajar até ao Verão. Lê-se António Costa a avisar que se vive “fase perigosa” e de “ilusão”. Lê-se António Costa a garantir que não há inquéritos epidemiológicos em atraso. Lê-se ainda António Costa em reunião com o Presidente da República para discutir estratégia do Governo. E lê-se até António Costa a defender partilha de vacinas com África. Não há, nas primeiras cem notícias, uma única que lhe seja desfavorável. E presume-se que também não haja nas mil seguintes, ou 10 mil. Ou em nenhuma de todas. Na verdade, não me recordo de uma única crítica contundente na imprensa contra a estratégia governamental (ou falta dela) em relação à pandemia; de uma única crítica sibilina que imputasse culpas pelo morticínio de Janeiro. Não incluo aqui as auto-críticas de António Costa, que, à falta de críticas, se mete de quando em vez em reflexões introspectivas, mas sempre em tom paternalista – por exemplo, quando se referiu à mensagem no Natal por ele feita, que terá sido mal percepcionada pelos portugueses –, num estilo, enfim, similar ao de um pai que lamenta os desacatos do filho em noitada de copos.

(...) 

Observar a evolução (e distribuição) dos óbitos entre Portugal e Brasil, e ainda entre Portugal e os Estados Unidos, desde o início da pandemia, e depois continuar achando que não existem responsabilidades políticas na gestão da pandemia no nosso país, constitui um exercício de cegueira cívica ou de estrabismo ideológico. Os últimos meses em Portugal foram uma catástrofe inimaginável mesmo perante as supostas “ovelhas negras” chamadas Brasil e Estados Unidos. E não foi apenas em Janeiro. 

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Nota: Como estou em fase de migração para a conta pessoal, agradeço que me sigam preferencialmente pela minha nova página do FB  (Pedro Almeida Vieira - PAV).

Sigam também a página do FAROL XXI.


DAS FAKE NEWS E DO AMOR

Tomei conhecimento que o Doutor André Casado, distinto médico intensivista do Hospital da Luz, ocupa as suas poucas horas vagas em duas distintas funções: escrever livros sobre "fake news" e visitar páginas de quem não conhece para as "desrecomendar".

Como estou muito cristão, devolvo a delicadeza, recomendando-vos o seu livro, com votos de grande e merecido sucesso. Eu não li mas gostei muito, apesar dos seus já desculpados erros gramaticais, de acentuação e pontuação, porque a um especialista em ventilação não se pode exigir rasgos de Camões.

Nota: Podem acompanhar alguns dos meus textos mais elaborados no site do FAROL XXI.




sábado, 27 de fevereiro de 2021

DO SNS E DO ALEGADO REFORÇO

Bem sei que ser "treinador de bancada" é muito confortável, e "arrotar postas de pescada" sobre as análises dos outros.

No meu caso arrogo-me o direito de criticar, porque, enfim, faço muitas análises. Os meus comentários, as minhas críticas, não têm uma base de "achismo" nem de ideias pré-concebidas. Pelo contrário. Quando me parece, empiricamente, que algo é assim ou assado, predisponho-me a gastar umas horas em análises.

Eis AQUI um destes exemplos. Fui analisar em grande detalhe como evoluiu o Serviço Nacional de Saúde, nas suas diversas componentes (unidades orgânicas, incluindo hospitais) entre Março de 2020 e Janeiro de 2021.

Podem também seguir a página do FAROL XXI.

Para quem me segue também no FB, recomendo que passem a seguir-me AQUI, na página pessoal.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

DO ADORÁVEL PÚBLICO SOBRE O BRASIL (E DO SILÊNCIO SOBRE PORTUGAL)

Os jornalistas do Público andam novamente ufanos, de orelhas arrebitadas, agora que as mortes por covid-19 desceram em Portugal de uns estonteantes 300 óbitos para uns mais "aceitáveis" 50 e tantos. Faço notar que no processo de "chegada" até aos 300 óbitos não se viu uma única notícia ou editorial em tom crítico sobre a actuação do Governo de António Costa.

Entretanto, no Brasil atingiu-se um máximo diário de óbitos esta semana: na quarta-feira registaram-se 1.582 mortes. Motivo mais que justificado para "zupar" em Bolsonaro, porque tudo o que de mau existe é sempre Bolsonaro.

Eu nunca defenderei Bolsonaro na gestão da pandemia, nem nunca em outra qualquer área, mas... caramba: 1.582 óbitos no Brasil correspondem a 76 óbitos em Portugal. Caramba: Portugal teve um pico de 303 óbitos, um pico quatro-4-quatro vezes superior. Foi há um mês, caramba! E não foi nunca, segundo o Público, culpa do Governo de António Costa. Foi culpa, segundo se depreendia pelas notícias e editoriais do Público, dos portugueses e das variantes e do Diabo a quatro. Nunca foi do Governo, nas letras do Público.

A forma enviesada como o Público (ainda mais do que os outros media) enegrece o cenário do Brasil - como contraponto de Portugal - devia constar de uma aula de comunicação social. Para mostrar como não fazer notícias. Como não desenquadrar um problema. Reparem: Portugal tem menos de 5% da populaçºao brasileira (4,8%); e por isso as 251.661 mortes por covid-19 naquele país correspondem a 12.120 em Portugal. No nosso país terão morrido 16.243 pessoas por esta doença, o que equivale a mais de 337 mil mortes no Brasil.

Quem está pior? Porque se aponta (justas) responsabilidades políticas num país estrangeiros, e nada se diz sobre responsabilidades políticas na gestão da pandemia cá no burgo? 

Este tipo de jornalismo do Público é mais do que tendencioso. Não é jornalismo. Aliás, não deixa de ser irónco - e até anedótico - que ainda há dias uma série de individualidades (algumas que conheço e até, julgo ainda, são minhas amigas) fizeram publicar uma carta aberta no Público em que se insurgiam contra o tipo de jornalismo televisivo. Eu ainda esperei que fizessem uma conferência de imprensa, transmitida pelas televisões, a insurgirem-se contra o tipo de jornalismo da imprensa escrita. Ainda estou à espera. 

NOTA IMPORTANTE: Quem me segue no FB, na minha conta principal, e desejar continuar a seguir-me, aconselho que o faça através da minha página Pedro Almeida Vieira - PAV.


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

DO RETRATO COMO NUNCA VISTO: O IMPACTE DA PANDEMIA POR CONCELHO

Leiam e divulguem (se considerarem relevante). Pela primeira vez saibam o impacte da covid-19 por concelho. É isto divulgado pelo Governo? Pela DGS? Pelas televisões, jornais e rádios nacionais? Não: é pelo FAROL XXI. 

Independentemente da vossa posição, leiam AQUI.  

E tirem a vossa conclusão, mesmo que discordem da minha interpretação.

Lead

Pela primeira vez, eis um retrato dos efeitos da pandemia em Portugal. Apesar da falta de transparência do Governo na revelação de dados pormenorizados sobre a covid-19, o FAROL XXI pesquisou e vasculhou sites e rede sociais das autarquias, bem como outras fontes de informação, designadamente órgãos de comunicação social de âmbito local e regional. Como até agora, ao fim de quase 12 meses, nenhum media de âmbito nacional (TVs, jornais e rádios) quis incomodar o Governo para se divulgar em pormenor os impactes do SARS-CoV-2, o FAROL XXI apresenta aqui uma análise possível mas exaustiva. Saiba assim como se portaram 233 concelhos (onde se divulga informação epidemiológica) em três indicadores fundamentais: taxa de mortalidade, taxa de letalidade e peso da covid-19 no total dos óbitos. E depois, questione-se sobre os motivos de haver tantos concelhos importantes sobre os quais nada se sabe; e sobre os motivos do manto negro que esconde a tenebrosa situação dos lares de idosos.

Sigam e divulguem a página do FAROL XXI.

E o site do FAROL XXI.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

DA TRANSPARÊNCIA E DA INFORMAÇÃO

O FAROL XXI andou a vasculhar sites e redes sociais para saber quais as autarquias que têm uma cultura de transparência e informação dos munícipes em relação à pandemia.

Os resultados estão num artigo agora publicado. E com mapa. Vejam AQUI

E amanhã vai sair o "sumo" essencial: uma análise sobre a taxa de letalidade, a taxa de mortalidade e o peso da covid-19 em cada um dos 225 municípios com informação. Quanto aos outros, esperamos que a sua cultura de transparência se modifique. E sobretudo que a DGS deixe de ser obscurantista.

Acedam e sigam à página do Facebook do FAROL XXI.

E visitem, obviamente, o site AQUI


terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

DOS CUIDADOS INTENSIVOS OU DA CRÓNICA DE UM POVO REFÉM E CRÉDULO

Leiam no FAROL XXI o meu artigo de opinião sobre o "estado das coisas". AQUI:

"(...) O crédulo povo português em tudo acreditará, porque já se convenceu que isto é como a Gripe Espanhola; que a culpa de estarmos em sexto lugar nos piores países do Mundo é de todos menos do Governo; que todos podem morrer pela covid-19; que todos ficarão com sequelas mesmo que nunca tenham tido sintomas (até porque, lá está, consta por aí que o principal sintoma da covid-19 é não se ter sintomas, donde se conclui que toda a gente sofrerá irremediáveis sequelas que a conduzirá à morte); que todos apenas se salvarão com a toma da vacina ou as suas sobras; que todos só podem almejar a sobrevivência se se mantiver o estado de emergência e todas as demais restrições (escolas e livrarias incluídas) enquanto houver mais de 245 camas de cuidados intensivos ocupadas por doentes-covid (...)" 

Podem seguir também a página do FAROL XXI no Facebook aqui.


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

DO CASAMENTO E DO HUMOR

As notícias sobre a morte da Oposição foram claramente exageradas. Não houve enterro; houve sim boda.

Vejam o humor no FAROL XXI na secção al-Karthum 

E também na página do FB do FAROL XXI.

domingo, 21 de fevereiro de 2021

DA ANÁLISE NECESSÁRIA E SEM PUDORES

No FAROL XXI (vd. AQUI) mais um importante texto, desta vez uma análise detalhada com base no  Centres for Disease Control and Prevention – a conceituada agência norte-americana de Saúde Pública –, abordando tema controverso mas necessário. Ide ler. E divulgai. 

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Durante meses foi um tabu – susceptível de banimento das redes sociais e da imprensa – comparar as pneumonias (e gripe) com a covid-19. Querer fazer esse exercício era “prova” de se ser negacionista. Contudo, o Centres for Disease Control and Prevention – a conceituada agência norte-americana de Saúde Pública – nunca teve pejo de divulgar publicamente dados que permitem comparar os efeitos da pandemia, integrando a covid-19 em outras infecções respiratórias. Os dados mais recentes (até 17 de Fevereiro) confirmam que, nos Estados Unidos, a nova doença tem sido bastante mortífera na população idosa, e que, por outro lado, as doenças infecciosas estão a matar bastante. Mas também revelam que a pandemia não tem tido impacte negativo relevante nas crianças e nos jovens. Na verdade, para estas faixas etárias, as pneumonias têm matado muito mais.

Sigam e divulguem a página do FB do FAROL XXI

sábado, 20 de fevereiro de 2021

DO DESFECHO FATAL NA COVID-19 (QUE DEPENDE DO MÊS E DO HOSPITAL)

Novo texto AQUI no FAROL XXI bastante importante, com uma análise inédita.

Vejam lead:

Não é apenas a idade ou as comorbidades que influenciam a probabilidade de sobrevivência à covid-19. Num país, como Portugal, cujo sistema de saúde entrou em verdadeiro colapso em Janeiro, a probabilidade de morrer ou viver depende também muto de se ter tido a sorte ou o azar de contrair a doença no Verão ou no Inverno, sobretudo porque a eficácia no tratamento registada pelos hospitais se mostrou muito distinta ao longo da pandemia. Aqui, no FAROL XXI apresenta-se uma avaliação sobre a evolução da taxa diária de mortalidade dos internamentos ao longo da pandemia, revelando-se também uma inédita análise à eficácia dos hospitais entre Março e Junho de 2020.

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Podem seguir também o FAROL XXI no Facebook AQUI




sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

DO PARAÍSO PARA OS NOVOS E DO INFERNO PARA OS VELHOS

Mais uma análise detalhada sobre o que se passou desde o início do ano, desta vez sobre o impacte por grupo etário.

Vejam AQUI.

E também abordo algumas incógnitas, a saber:

Primeiro, não se sabe qual foi o contributo do colapso do SNS quer na perda de eficácia do tratamento dos doentes-covid – a taxa diária de mortalidade dos internados chegou a atingir os 4,5%, quando em Novembro e Dezembro se situava nos 2,5% – quer na do tratamento dos doentes não-covid. 

Segundo, não se sabe o contributo da vaga de frio no agravamento das condições clínicas dos doentes (covid e não-covid) que culminaram em desfechos fatais.

Terceiro, ignora-se o impacte da suspensão da actividade normal desde Março de 2020 do SNS no surgimento ou exacerbação de comorbidades, e que podem ter contribuído muito para a mortalidade covid e não-covid.

Quarto, ignora-se qual foi o contributo dos lares para a mortalidade tanto covid como não-covid.

Quinto, desconhece-se o número de casos fatais cujas infecções por SARS-CoV-2 ocorreram no próprio estabelecimento hospitalar onde os doentes já se encontravam internados por outras causas, ou seja, não se sabe a prevalência da covid-19 como doença nosocomial causadora de morte.

Sexto, desconhece-se até que ponto a metodologia da DGS levou ao “uso abusivo” da covid-19 como causa de morte, sendo necessário saber em detalhe qual o número de vítimas em que o vírus foi identificado em laboratório (e sendo então a morte catalogada com o código U07.1 da OMS), e qual o número de vítimas em que a covid-19 foi apenas apontada como causa provável ou suspeita (código U07.2 da OMS).

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Pode e devem também seguir e divulgar a página do FB do FAROL XXI.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

DOS TESTES E DOS SEUS EFEITOS

Esta noite o FAROL XXI tem um artigo na secção ACTUAL muito importante, e julgo que à prova de fact-checking (excepto se for para confirmar a sua veracidade). 

Não por eu ser o co-autor, mas sobretudo por o outro co-autor ser João José F. Gomes, professor do Departamento de Estatística e Investigação Operacional da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Basicamente, analisa-se se o número de testes na Europa e em diversos países americanos tem uma correlação com os óbitos causados pela p*ndemia. Ou seja, se mais testes vai dar menos mortes; ou se menos testes vai dar mais mortes; ou outra qualquer correlação.

Vejam. Leiam. AQUI.

E divulguem se acharem oportuno. E mais, visitem e sigam a página do FAROL XXI.

DOS GRUPOS E DO RIDÍCULO

Se fossem quatro grupos de peritos, estariam a estudar o uso de quatro máscaras... Se fossem dez grupos de peritos estariam a estudar o uso de uma dúzia de máscaras, porque "à duzia é mais barato".

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

A gestão da pandemia em Portugal teve um triste resultado: a perda de eficácia no tratamento hospitalar em Janeiro levou que, em vez de 25 pessoas a morrerem por dia, tivéssemos 45. Isto culminou num impressionante pulo de Portugal na lista dos piores países mundiais. Actualmente estamos já na sexta posição, apenas atrás da Bélgica, Eslovénia, Reino Unido, República Checta e Itália. 

Notem, ainda bem que o Mundo não é como Portugal. Se a mortalidade em todos os países fosse proporcionalmente idêntica à do nosso país, teriam já morrido 11.824.405 (onze milhões, oitocentos e vinte e quatro mil, quatrocentos e cinco óbitos). Felizmente, as coisas não estão, por esse mundo fora, como em Portugal. Até agora faleceram "apenas"2.425.416. Ou seja, ainda bem que outros não beneficiaram do "milagre português"

Vejam as estatísticas e muito mais textos no FAROL XXI em https://farolxxi.pt/.../covid-na-uniao-europeia-e-no.../

Hoje foram colocados também interessantes textos de Edite Amorim e Tiago Franco na secção Vértebras. E mais ainda, temos novo contos na secção Distopias da Raquela Ochoa (vd.aqui).

Aproveitem para seguir a página no FB do Farol XXI.

Site do FAROL XXI.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

DO ESTRANHO PADRÃO DOS TESTES EM PORTUGAL - FAROL XXI

Hoje, no FAROL XXI (vd. aqui) abordo a polémica questão dos testes (PCR e antigénio) e a decisão de aumentar os testes. Vejam nesse texto como a testagem em Portugal tem um estranho padrão  (vd. gráfico em baixo) e também como, paradoxalmente, um aumento nos testes pode esconder surtos e dar uma falsa ideia de melhoria. Na verdade, como estão a ser feitos, a taxa de positividade dos testes é de uma clara inutilidade na definição de uma estratégia.

Também quero aqui anunciar que o Tiago Franco, a partir da fria Suécia, vai passar, periodicamente, a "enviar-nos" as suas reflexões, que sairão no FAROL XXI sob o título "Notícias a frio da Suécia" (vd. aqui).

----------------- Lead do texto "O estranho padrão dos testes em Portugal ---------------------------------

Os casos positivos à covid-19, em função dos testes PCR e antigénio, e a sua evolução ao longo do tempo, têm sido um dos principais indicadores para sustentar a estratégia do Governo e justificar as restrições impostas aos portugueses. Porém, numa análise mais fina aos dados disponibilizados pela Direcção-Geral da Saúde evidencia-se um estranho padrão nas taxas de positividade desde Novembro e, sobretudo, variações sem nexo de casualidade num evento como uma pandemia. Testar mais só serve para criar mais ruído. Na verdade, como aqui se defende, o “testar, testar, testar” deveria ser antes o “testar com critério, testar bem, testar com rigor”.

Visitem o site do Farol XXI.

Sigam e divulguem a página dio FB do FAROL XXI.


domingo, 14 de fevereiro de 2021

DOS JORNALISTAS, O VÍRUS QUE ESTÁ A MATAR O JORNALISMO

Deixei de ser meigo nas palavras e na análise ao actual estado do jornalismo português. Aqui segue o início do meu artigo de opinião (VÉRTEBRAS) no FAROL XXI:

"Além das pessoas que perderam a vida, a grande vítima da pandemia tem sido o Jornalismo português. A Imprensa, enfim. Não acredito em teorias da conspiração, nem tão-pouco na tese da intencional manipulação da informação como forma de pagamento do “favor” que o Governo concedeu às empresas de comunicação social ao direccionar-lhes 15 milhões de euros dos nossos impostos. Acredito mais numa deriva disfuncional – mais grave ainda, porque estrutural –, que se iniciou por razões bem-intencionadas (e o Inferno, dizem, está bem cheio delas), mas acabou por se fundir numa Narrativa Oficial, incutida pelo Governo. Por osmose, essa Narrativa colou-se de tal modo à comunicação social que os jornalistas deixaram de questionar, e de se questionarem; de quererem respostas, e darem respostas aos leitores. Afunilaram as fontes e subjugaram-se ao ritmo da Narrativa Oficial. As perguntas incómodas, o must do Jornalismo, atrofiaram-se, emudeceram, eclipsaram-se. Já não existem. "

Podem ler o artigo AQUI.



sábado, 13 de fevereiro de 2021

FAROL XXI - SEMANA 1

O projecto nasceu há uma semana, dentro do espírito da Cidadania XXI. É um espaço de reflexão e cidadania, com todas as componentes que daí devem advir: análise, informação (estatística, também), opinião, e contestação (com humor).

Neste momento, além de bastantes análises inéditas da minha autoria (ACTUAL), podem ver já as participação de um vasto leque de pessoas com excelentes textos de reflexão e/ou de opinião, que aqui elenco: Santana Castilho, Tiago Franco, Ana Lopes Galvão, Eduardo Rêgo, Vítor Pereira, Alfredo Vieira, Paulo Matos, Carlos M. Fernandes. Além destes, o FAROL XXI conta já com textos literários (contos) da Raquel Ochoa (com um pequeno dedo meu; mas haverá mais em breve a solo), do Tiago Salazar e da Gabriela Ruivo Trindade (Prémio Leya, que publicará aqui um pequeno diário). E temos também o humor (delicioso e corrosivo) do MIG. E a mexer nos cordelinhos todos, temos o Tiago Lucena, homem de mil ofícios, que meteu literalmente o site em pé.

Numa semana não se podia exigir mais. Mas, vai haver mais nas próximas semanas, muito mais. 

Obviamente, o vosso apoio, a vossa visita e a vossa divulgação deste projecto é o nosso oxigénio anímico para continuar.

Por isso, visitem e divulguem o site do FAROL XXI.

E sigam a nossa página do FB, aqui: FAROL XXI.

É isto que, por agora, mais vos pedimos.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

COMO O COLAPSO DO SNS AJUDOU O VÍRUS A MATAR MAIS

Mais um artigo no FAROL XXI desta vez sobre o colapso do SNS em Janeiro com consequências no aumento estrondoso na mortalidade em Portugal.

Leiam aqui

Eis o primeiro parágrafo:

"O colapso do Serviço Nacional de Saúde (SNS) durante o mês de Janeiro terá sido responsável por um acréscimo de mortalidade por covid-19, apenas nesse mês, entre 2.070 e 3.556 óbitos. Esta estimativa baseia-se somente no agravamento registado naquele período em termos de eficácia de tratamento dos doentes internados nos hospitais, incorporando, portanto, o aumento dos internados."

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

O LADO DESCONHECIDO (E AGORA REVELADO) DOS HOSPITAIS NA LUTA CONTRA A PANDEMIA

Querem saber "coisas" sobre a pandemia? Leiam a imprensa. 

Querem saber o que se passa nos hospitais sobre a covid? Então leiam o meu artigo no FAROL XXI.

Tem informação nunca revelada sobre os registos hospitalares entre Março e Junho de 2020: um retrato do tratamento da covid-19 durante a primeira fase da pandemia, que permite análises muito interessantes. Leiam e vejam os gráficos.

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O FAROL XXI revela, e analisa em detalhe, os registos hospitalares da primeira fase da pandemia – informação nunca revelada pelas autoridades de saúde. Saiba aqui, em primeira-mão, quantas crianças, adultos e idosos foram internados, quanto foram para cuidados intensivos e quais os níveis de sobrevivência. Nem tudo são boas notícias, mas, decididamente, não estamos perante uma catástrofe que pode aniquilar qualquer um ao virar da esquina. Na verdade, a pior notícia é a contínua manipulação dos efeitos da pandemia por falta de informação detalhada.

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DA DÚZIA

Conto 12 pessoas nesta foto numa área que será inferior a 10 metros quadrados. Não pode ser, minhas senhoras e meus senhores... Vou ja ali queixar-me à PSP e à DGS desta violação das normas de segurança. De certeza que o ministro da Administração Interna e a ministra da Saúde não vão tolerar esta bandalheira...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

DO MILAGRE LUSITANO LIDERADO POR COSTA & MARCELO

Portanto, em mortalidade relativa, a gestão genial de Costa & Ca. Lda. já está pior do que o Brasil de Bolsonaro, a Suécia de Tegnell, a Espanha da Primeira Onda e, amanhã, ficará pior do que as Terra do Tio Sam que foi do Trump.

Sem hidroxicloroquina (muito bem!), com muitas máscaras (muito bem!), com lockdowns (muito bem!), com encerramentos antecipados e horários curtos para causar aglomerados nos supermercados (muito bem!), com transportes públicos a abarrotar porque de lá não surgem infecções (muito bem!), com estados de emergência de que não sei já em quantos vamos (muito bem!), com lares com surtos intermináveis (muito bem!), sem relatórios dos lares porque isso são pormenores (muito bem!), com o SNS de pantanas (muito bem!), com a população idosa presa por arames porque quase não há consultas há um anos (muito bem!), com engenheiros geográficos a fazer epidemiologia (muito bem!), enfim, com tudo isto, estamos no top-10, e continuaremos a subir. O primeiro lugar do tudo-mal está aí à nossa mão. 

DA RADIOGRAFIA ÀS QUATRO SEMANAS DE UM DESASTRE

Não é por ser um texto meu - ou talvez também seja por isso -, mas se quiserem entender o que se passou em Janeiro, este texto é fundamental. Podem não concordar com as minhas interpretações, mas o raio-x é este que os números e os mapas mostram. Deve o Governo meter uma pedra sobre o assunto? Nós deveríamos, como cidadãos, dar essa resposta. A minha é: não.

Link da notícia do FAROL XXI aqui


DA DIGNIDADE E DAS BOAS PESSOAS

Olho o Major Médico Janeiro, director clínico do Centro de Apoio Militar (CAM) e vejo bondade e, assumo, saber. Olho também para o Coronel José Baltazar, director do CAM, e vejo seriedade e, assumo, responsabilidade. Devem ser boas pessoas... E depois vejo um microfone de uma jornalista da TVI a meter cara dentro de uma senhora doente-covid, ainda por cima com mazelas na cara e que nem sequer conseguiu fazer mais do que balbuciar por serem evidentes sequelas de um anterior AVC. Como é possível autorizar uma reportagem desta natureza, minhas senhoras e meus senhores?

Fui jornalista durante mais de 15 anos, e em tempos membro do Conselho Dentológico do SJ, e acho tudo tão absurdo, nojento, execrável. Esta gente - incluo, neste caso, o bondono major Janeiro, o director Baltazar  e a jornalista da TVI - perdeu a noção de dignidade. Da deles e da dos outros. Shame on you! para todos eles.



terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

FAROL XXI - MAIS NOVIDADES

Novidades no ACTUAL do FAROL XXI. Aconselho o artigo sobre a situação do lar de Mourão, apenas um dos muitos trágicos exemplos do que sucedeu em Abril.

Feedbacks serão bem-vindos.

Link do site: FAROL XXI 

Página do Facebook: FAROL XXI

DA MÁQUINA DE LAVAR INFARMED

Estas reuniões do Infarmed são fantásticas: temos ali "peritos" muito ciosos de lavar a imagem do Governo até ficar límpida. Acho que a Avenida do Brasil, a sede, vai passar a chama-se Avenida Aldeia da Roupa Branca.



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

DA TERCEIRA DERIVADA PARA ENCONTRAR UM CALHAU

Carlos Antunes, doutorado em Geodésia (e que, entre muitos bons estudos na sua área, avaliou recentemente a probabilidade de inundações costeiras devido à subida do nível do mar e a eventos de tempestade extrema), tornou-se um guru da Matemática da Pandemia. E tão apaixonado anda com o seu novo interesse que, com unhas e dentes, defende a sua "dama" até ao nível do absurdo. E atira-se com garras e fúrias a quem lhe aponta, enfim, as limitações dos modelos matemáticos e, sobretudo, os pressupostos para os dados que utiliza. Foi ele que ajudou a fechar as escolas; é ele que agora está a forçar, com Pedro Simas, que Portugal passe habilidosamente de "besta" efectiva a fantasioso "bestial", limpando a imagem do Governo na péssima gestão da pandemia e no caos do SNS em Janeiro.

Já há dias, numa longa entrevista na RTP, fiquei abismado com a sua analogia entre o fecho das escolas e o uso de aviões pesados Canadair para a supressão de incêndios rurais à nascença. Absurda analogia, não apenas por ser impraticável usar aviões pesados em qualquer ignição, mas sobretudo por a realidade mostrar que o efeito do uso de aviões pesados não é um factor determinante para a variabilidade da área ardida em Portugal.

Também já ficara boquiaberto quando ele concluiu que os jovens dos 18 aos 24 anos são o grupo com maior incidência de infeção, quando, na verdade, são os mais idosos, porque a incidência deve sempre ser calculada em função da dimensão de um grupo etário (ou seja, como taxa relativa).

Agora, vejo que polemiza com "uma Raquel Varela", forma pouco cordata de alguém que se assume como académico se dirigir a uma colega académica, mesmo que de outra área científica. Carlos Antunes, no seu post, justifica logo porque não tem em nenhuma consideração os argumentos de Raquel Varela: "como a senhora não percebe nada de matemática dificilmente compreenderá a natureza dos dados a que se refere".

Não me considerando um especialista em qualquer área, uma das vantagens da minha (comprovada) formação académica e profissional (engenharia, conservação da natureza, economia, gestão, comunicação social, história, políticas públicas e até literatura) é ter um conhecimento suficientemente alargado para entender os "mecanismos" de muitas áreas e sobretudo a "retórica" dos que se assumem como especialistas, sobretudo quando falam para leigos. Quase sempre a retórica, quando imposta, se mostra com pés de barro.

Nessa "retórica", como bem fica patente no post de Carlos Antuns, que desanca na Raquel Varela, espraiam-se tiques de superioridade mas assentes num discurso que dá para rir. Fazer uma simples correlação entre temperatura média e mortalidade covid e não-covid, concluindo que a vaga de frio só matou quem não estava com covid é dos maiores absurdos que se pode ver. Aquilo devia dar para chumbar qualquer aluno, e nem era de Matemática.

Porém, quando se temperam argumentos com termos como "correlação numérica", "modelo bio-físico", e "2ª derivada da incidência", dá-se uma ideia de saber superior, ainda mais quando implicita ou explicitamente se faz entender que o opositor não domina esses conceitos. Porém, Carlos Antunes faz-me tão-só lembrar os padres que até ao século XVIII introduziam nos seus sermões, em portugês, frases em latim: os seus ouvintes não entendiam latim, mas essas palavras tinham apenas o propósito específico de granjear maior superioridade "intelectual" ao clérigo.

Nessa medida, eu quero dizer-vos que sei bem o que a "2ª derivada da incidência" pode indicar-nos, mas também desejo confessar-vos ("imodesticamente") que sou especialista em análises aos discursos de académicos, e que as faço muito bem até à "3ª derivada", que serve basicamente para detectar calhaus. E descobri um nas análises e modelos sobre a pandemia que têm sido apresentadas pelo digníssimo professor do Departamento de Engenharia Geográfica, Geofisica e Energia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Carlos Antunes. Aliás, este é um bom caso em que se aplica o adágio: quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão.

domingo, 7 de fevereiro de 2021

DO COMO SE JUSTIFICA A GRAVIDADE DE UMA DOENÇA COM O PRÓPRIO COLAPSO DO SNS

Enfim, para se justificar aquilo que é o desinvestimento "crónico" do SNS que resultou num colapso "agudo" em Janeiro, vem-se com a história da ocupação das Unidades de Cuidados Intensivos (UCI). Diz-se que nas UCI, 90% estão ocupadas por doentes-covid. 

Assim visto, duas hipóteses se colocam: ou há muitos doentes ou há poucas camas-UCI. Ou, na verdade, três hipóteses, sendo que a terceira é a seguinte: havendo sempre poucas camas-UCI, e não se fazendo qualquer investimento digno de nota durante a pandemia, um maior afluxo na procura por uma nova doença causou um colapso.

Vamos fazer aqui uma comparação (padronizada) com Espanha. No dia 4 de Fevereiro, Espanha tinha 4.795 camas-UCI ocupadas por doentes-covid. Tendo em conta a sua população, isto significava cerca de 1.050 portugueses-equivalentes. Ou seja, uma procura ligeiramente superior à de Portugal (em redor de 900 doentes-covid).

Ora, como se pode observar no quadro que anexo, a taxa de ocupação de camas-UCI por doentes-covid era, no dia 4 de Fevereiro, de apenas 43,86%. Feitas as contas - e há quem, vivendo na Terra acha que isto de contas só se precisa de saber fazer somas de merceeiro -, isto significa que existem cerca de 10.930 camas-UCI em toda a Espanha, para qualquer doença ou mazela, incluindo covid. Padronizando para a população portuguesa, isto dá o equivalente a cerca de 2.430 camas-UCI. 

Portugal, tendo em conta as indicações, terá apenas cerca de 1.000 camas-UCI. Ou seja, Espanha tem muito mais do dobro (quase 2,5 vezes mais) de camas de cuidados intensivos do que Portugal. 

E depois a culpa das mortes é do SARS-CoV-2 e do Natal e dos portugueses. Nunca do Governo.


DA MORTE DE BEBÉS POR COVID E DA IGNORÂNCIA DOS NÚMEROS

Hoje morrem 20% dos bebés (menos de um ano) que morriam no final dos anos 80. Contudo, apesar das fantásticas melhorias médicas no acompanhamento da gravidez e nos cuidados nos 12 primeiros meses de vida, a probabilidade de morte até se completar o primeiro ano de vida é muito superior aos das crianças com mais idade. 

Na verdade, a probailidade de morte nos primeiros meses (0,29%) é 10 vezes superior ao dos bebés de 1 anos (0,029%), e é  equivalente `de uma pessoa de 50 anos. 

Julgo não ser necessário explicar as razões, mas isto explica porque as únicas duas crianças que morreram por covid tinham meses de vida e ambas sofriam de graves malformações congénitas.



sábado, 6 de fevereiro de 2021

DO FAROL XXI - O NOVO PROJECTO

Eis o fruto (inicial) do trabalho de várias semanas, integrado em mais uma iniciativa da Cidadania XXI, feito por uma extraordinária equipa: nasceu hoje o FAROL XXI (cliquem AQUI), uma plataforma de reflexão e cidadania sobre estes nossos estranhos tempos. 

Podem encontrar análises de actualidade (ACTUAL); artigos de opinião (VÉRTEBRAS); muitas estatísticas (ÁLGEBRAS), espaço para tertúlias e ensaios (COM VIDA); humor & cartoons (HUMORES), porque continuar a rir é essencial; e mesmo contos (DISTOPIAS). E vai haver muito muito mais. Muito mais e melhor.

Sugiro-vos, vivamente tudo, mas recomendo em especial quatro análises detalhadas da secção ACTUAL.

As estatísticas detalhadas também, sobretudo as previsões diárias dos óbitos-covid, a situação portuguesa no contexto europeu e mundial e outras informação essencial para compreender a pandemia.

E humor, as subsecções AL-KHARTUM e MILHEIRICES....

Etc., etc., etc...

Falarei disto depois com mais detalhe. Visitem e adicionem-se também à página do FAROL XXI.

Feedbacks serão bem-vindos.

Link do site: FAROL XXI 

Página do Facebook: FAROL XXI

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

DO PORTUGAL PACÓVIO EM TEMPOS DE PANDEMIA

Há qualquer coisa de grotesco nisto. Entretanto, os lares de velhos continuam a “bombar” receitas para as agências funerárias... e ninguém do Governo interessado em se saiba aquilo que por lá se passa. Entre milhares de lares legais e centenas de ilegais. Entretenham-se.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

DA PERPETUIDADE

Cruzei-me com esta frase, algures por aí... Mentira! Não cruzei nada. Destaquei-a apenas, sem a caratonha do dito, porque isto ultrapassa todos os limites. Consta por aí ter havido certa pessoa que disse, sem se rir, ser um sintoma possível da covid o não ter sintomas. Este agora veio dizer que, enfim, " mesmo os assintomáticos ficaram com sequelas".

Sinceramente, eu acho tudo isto tão absurdo, os tempos tão absurdos, que muita gente nem sequer vai puxar pelos neurónios e, em vez de dar uma sonora gargalhada, aumenta ainda mais o nível de pânico.

Portanto, depois disto, quem fizer uma análise serológica e se lhe detectarem anticorpos contra o SARS-CoV-2, já sabe aquilo que lhe reserva o futuro. O triste futuro. 

Dói-lhe a cabeça? Foi o SARS-CoV-2! 

Torceu o pé? Foi por causa da covid! 

Um desarranjo intestinal? Foi o corona! 

Apanhou pé de atleta? Foi o dito! 

Ataque cardíaco? Pimba: foi o SARS-CoV-2! 

Teve AVC? Ui: foi a covid! 

Sofre de Alzhemeier? Só pode: foi por causa da covid!

Parkinson? Trema: foi o corona!

E se vier um cancro? Ora: quem acha que foi?!

Morreu de velho, em sossego, rodeado de netos e de sorriso nos lábios pela longa e rica vida? Era o que faltava: morreu por causa do "gajo" que se grudou em si para todo o sempre! Amen! E veja se não infecta depois Deus ou o Diabo, consoante o lugar para que siga.

DO FIM DO INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICA, POR CERTO DESEJADO POR CARONA

O Excelentíssimo Doutor Gustavo Carona - que se jactancia de "médico intensivista", pese embora tenha apenas a especialidade de "anestesiologia" registada na Ordem dos Médicos - começou em Fevereiro de 2020 por "relativizar" a covid-19. Escrevia ele há um ano ser o SARS-CoV-2 "altamente contagioso, mas que a poucos causa doença, e aos poucos que causa doença nas piores das análises 2 a 3% vão morrer" (FB, 26/2/2020).

Na verdade, um ano depois, as suas palavras mantêm, mais ou menos, a actualidade e o rigor. Com efeito, a taxa de letalidade em Portugal é de 1,8% (nem chega, assim, aos "2 a 3%" que ele referia), apesar de nos mais idosos ser muito mais grave, estando nos 14,6%, sendo que em Janeiro esteve um pouco acima, revelando as falhas do SNS. Na verdade, desde o início, a minha posição tem estado sustentada nestas premissas.

Ora, mas agora, um ano depois, o Excelentíssimo Doutor Gustavo Carona, presumido médico intensivista mas de atestado anestesiologista, já não gosta nada que se relativize coisa alguma. Aliás, abomina. Mais, anatematiza. Melhor dizendo, quer esconjurar quem relativiza.

Assim, ontem, o Excelentíssimo Doutor Gustavo Carona, agora vedeta da rádio & TV, foi à RTP dizer tão-só isto (sic): "(...) Afinal, não há ninguém negacionista. Ninguém nega a existência do vírus. O que é perigoso é a relativização. Os relativistas. Dizer que isto não é assim tão grave, que já houve anos piores, que isto é como a gripe, todo este tipo de frases são perigosíssimas. E nós temos de as retirar da circulação pública".

Portanto, temos aqui um anestesiologista a querer o fim de tudo o que seja "relativização", qualquer comparação. Tudo isto deve ser retirado de "circulação pública". No limite acabar com o INE, presumo, que é o sítio onde mais se fazem "relativizações". Aliás, o extermínio das relativizações, proclamada pelo Excelentíssimo Doutor Gustavo Carona, acaba por ter um óbice: entra em contradição, o que nem surpreende perante o seu "histórico": é que só se relativizarmos podemos dizer em que grau (ou em quantos graus) é que a covid é pior do que outras doenças, incluindo infecções respiratórias. 

Nota: Em anexo, por ser público, coloco o registo de Gustavo Carona na Ordem dos Médicos, bem como o de outros médicos, para atestar que um médico pode ter simultaneamente a especialidade de anestesiologia e de medicina intensiva. Gustavo Carona só tem a primeira.



terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

DOS PARABÉNS À TIA OU DO COMO O INFERNO ESPANHOL SE PASSOU PARA CÁ NUM ÁPICE

Em Junho de 2020, a deputada socialista Joana Sá Pereira declamava na Assembleia da República: "Tal como noutros períodos da nossa longa história, há fortes motivos de orgulho para os portugueses. Não foi sorte. O vírus teve, diria, talvez o azar de encontrar pela frente um povo experimentado e um Governo capaz."

Oito meses depois, Portugal ultrapassou a Espanha em mortes por milhão, encontra-se em 11º lugar no ranking mundial, neste critério, de entre os Estados com mais de 1 milhão de habitantes.

Eis o Governo capaz. Eis o azar do vírus.

Bem sei que muitos amigos (e inimigos) dirão que aí está a confirmação de a covid ser terrível. Leiam-me. Sempre disse que era muito perigosa para os mais idosos e alertei para os lares. Sabe-se o que se está a passar nos lares portugueses, nos legais e ilegais? Claro que não! Eu posso saber o que se passa em imensos países nos seus lares, aqui é top secret. Lamentável. Todos os meus indicadores apontam que andam a alimentar as morgues.