quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

DO MISTÉRIO OU DA ALDRABICE

Nada melhor para o Governo (e pior para nós) do que amedrontar ainda mais a populaça com o anúncio de um aumento significativo e abrupto de (supostos) casos positivos de covid. "É um novo máximo diário de infecções", anuncia a Acção Socialista, perdão, o Público! Tremei, mortais! Ficai em casa. Temei pela vida em 2021 tanto como em 2020!

Eu sei que muitos pensam que já é embirração minha, mas não consigo suportar coisas que fogem a toda a lógica. Vou explicar-me.

Nos últimos dois dias foram anunciados 13.676 casos positivos, e morreram 155 pessoas, que, obviamente, deixaram camas vagas nos hospitais. Além destas, terão saído algumas (ignora-se quantas porque a DGS nunca diz) porque, tendo estado internadas, tiveram alta e regressaram a casa. E, em princípio, outras pessoas deverão ter sido internadas, quer infectadas nos dois últimos dois dias quer antes. Os internamentos são, na verdade um fluxo, que varia diariamente em função do número daqueles que se mantêm internados, dos que entram porque registam complicações e dos que saem de uma de duas formas: por uma feliz "alta" e por uma infeliz morte.

Porém, que raio! Houve 13.676 infectados em apenas dois dias! Como se explica, nestas circunstância, com uma tão elevada magnitude de novos casos, tenha havido uma redução de 90 internamentos?! Desse número todo de novos infectados ficaram quase todos a tomar ben-u-ron em casa? Não estaremos a exagerar um "bocadinho" nestes números de infectados?

Mais estranha ainda é a (conveniente, politicamente) subida abrupta de casos positivos de covid desde o dia 25 de Dezembro. Alicerçada na imprensa, a campanha "terrorista" da SNS, de culpabilização do Natal já inculcou nas gentes que foram as festas familiares as culpadas desta subida. Oh!, o Governo bem avisou; tentou fazer tudo ao seu alcance, mas, hélas, os portgueses são umas crianças, e lá está, continuam a precisar de ser "cuidados" e "castigados" pelo excente Governo. 

Enfim, neste clima de culpabilização dos cidadãos, o Governo fica nas suas sete quintas: quantos mais casos positivos, menores parecerão as suas culpas, e melhor se encaixarão umas mortes em excesso (mesmo que por outras causas), pois ficarão com o ferrete da covid.

Porém, quanto mais analiso os (poucos) dados disponibilizados, mais vejo um rabo de fora que me faz desconfiar de haver, por aqui, gato. E isto já não tem apenas a ver com o misterioso (quase) desaparecimento das gripes e das outras infecções respiratórias durante o Outono e estas primeiras semanas de Inverno [Este ano, entre 20 e 30 de Dezembro, o SNS apenas registou cerca de 14% das gripes e infecções respiratórias em relação à média de 2016-2019 para o período homólogo]. 

Vermos os casos positvos de covid a dispararem (convenientemente) nos últimos dois dias, os internamentos a diminuirem e o resto das infeções respiratórias a manterem-se muitíssimo baixos e sem flutuações natalícias, convenhamos que parece coisa demasiado misteriosa, tão misteriosa que até parece aldrabice. A maior transmissibilidade do SARS-CoV-2 não explica tudo. 




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